…Caverna d'Zion…

Diga sim ao Sofrimento e não ao Masoquismo

Posted in Artigos Pessoais by Segundo on janeiro 29, 2010

Diga sim ao Sofrimento e não ao Masoquismo

Aprendi uma coisa a respeito da fé.

“A fé pode nos levar no lugar que desejamos chegar. Entretanto, só a fé em Deus nos leva ao lugar que Ele quer que estejamos.”

Vivemos em uma sociedade que tenta compulsivamente abolir o que “nos incomoda” seja emocional, material, espiritual, social e etc. Como fruto de um processo tecnológico o ser humano tem tentado colher o fruto de “não sofrer”. Todo contingente moderno aponta para a comodidade e juntamente com isso a abolição do que é fraco, pobre, ou ainda de coisas, sentimentos, ferramentas e decisões que nos fazem sofrer e nos causam constrangimentos.

O ser humano não quer sofrer! Não quer ser pequeno, muito menos pobre, fraco porque isso gera dor. Na verdade, dor de ver que existem coisas melhores que não possuímos. Não é simplesmente a dor de não ter o que comer, de não ter quem amar ou de não ser amado, de não ter conhecimento suficiente… não é o simples fato de sofrermos tendo a falta como causa. Mas, sofre-se mais, pelo fato de não possuir o que o outro possui, esse é o maior sofrimento, essa é a maior fraqueza, esse é o maior incômodo.

No mundo como nosso em que a competitividade é a mãe de todas as oportunidades, não se importa ser humilde, pequeno como uma criança é pura loucura (por isso não deixamos crianças serem criança), admitir fraqueza é inadmissível… Somos forçados por uma corrente que prega que o sofrimento faz parte da vida do ser humano só quando ele esta em erro, “pecado”, resultado de escolhas ruins, sempre está ligado a vergonha ou pessimismo!

A tão pregada teologia da prosperidade profere isso aos quatro cantos, o próprio capitalismo demonstra que os seus recursos são apontados para se sair dessa estrada de incômodos, provando que  a “mais valia” é a chave que nos faz parar de sofrer… alguns tentam chamam isso de civilização, talvez por causa o processo tecnológico, essse próprio desenvolvimento ilusoriamente nos afaste do sofrimento, do que nos incomoda e nos coloca certamente em uma prisão um pouco mas aconchegante  e rebuscada.

Nitidamente não queremos sofrer, fraqueza denota dor, pois nos tornamos mais vulnerados. Sabe o que isso tem a ver com fé? com aquela frase lá do início…

Essa fé, que é a certeza de conquistar sempre, cada dia mais, em uma busca material compulsiva, não só no sentido material mas principalmente egoísta do próprio eu, tem nos afastado do sofrimento, da dor, do que nos incomoda. Entretanto, não tem, e nem nos aproximado de Deus… os simples argumento de que “quanto mais longe da dor mais perto de Deus estou” é um argumento totalmente sem embasamento bíblico. Pois se assim fosse o próprio messias estaria em toda a sua estada terrena longe de Deus.

O que incomoda é ver cristãos em posições que ele mesmo conquistou por sua própria fé (diga-se de passagem lugares louváveis) e culpar à Deus por suas limitações e frustrações quando percebem que o caminho e o lugar onde chegou não o satisfez como ele mesmo gostaria de ser satisfeito… em outra palavras, o melhor lugar na sua mente, o melhor lugar no tocante a reputação, o melhor lugar em relação ao poder aquisitivo, o melhor lugar com sua beleza exterior… nada disso levou a vontade boa, agradável e perfeita que é o que Ele nos garante na sua palavra.

Resumindo a vontade de Deus não exclui ou deleta a fraqueza, a pobreza ou aquilo que nos incomoda,  ela não anula nossas frustações ou medos ou o que temos em nós que nos gera dor! A vontade de Deus tem compromisso com uma coisa, com o novo homem que está dia-a-dia sendo gerado em nós e assim sendo tudo que somos, positivamente ou negativamente, segundo nossa visão é utilizado por Ele como ferramenta para moldar esse caráter de Cristo em nós.

Revesti-vos do novo homem que se refaz de pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou. Col 3:10

Deus não quer saber do seu ou meu comodismo, não quer saber se não gostar de sentir dor (seja que de espécie for). Deus quer somente uma coisa! Se refazer em nós e se para isso for necessário fazer-nos sofrer Ele vai utilizar dessa ferramenta, não vou nem mencionar o caráter terapêutico do sofrimento na vida dos grandes homens de Deus que a palavra relata.

Mas caro amigos podem ficar tranqüilos que isso só vai passar aqueles que estão com sua fé em Deus, aqueles que querem andar segundo o Seu propósito. Esses são os escolhidos e não somente chamados. A teologia da properidade não chega tão longe, pode ficar tranqüilo e continuar fazendo suas campanhas para parar de sofrer… é direito seu, foi te dada essa liberdade de escolha! Mas se lembre: “A fé pode nos levar no lugar que desejamos chegar. Entretanto, só a fé em Deus nos leva ao lugar que Ele quer que estejamos.”

” O sofrimento é o melhor remédio para acordar o espírito.” (Émile Zola)

Alcançando: “Peso de Glória” (2°Cor.4:17)

Posted in Artigos Pessoais by Segundo on dezembro 2, 2008

pesoNinguém gosta de sofrer e as vezes usamos métodos de auto-defesa para não sofrermos e camuflamos a realidade ao nosso modo. É totalmente normal o ponto de não querermos sofrer. Contudo, quanto usamos subterfúgios, para nos defendermos ou minimizarmos o impacto da realidade que nos cerca, além de estarmos andando em um caminho ilusório também estamos perdendo a oportunidade de crescer com pessoas.

Hoje, é muito comum percebemos que as pessoas estão cada vez mais procurando ter o controle da vida em suas mãos, elas não querem que nada sai fora de controle, querem estar o mais cômodas possíveis. Passa a ser quase uma questão de status ter “o controle da sua própria vida nas mãos.” Isso séria possível? ou é apenas um modo de autodefesa, ou em palavras mais grosseiras, seria uma desculpa para nós escondermos atrás do nosso “EU” e fugirmos da situação de dificuldade ao invés de enfrentá-la.

chingamentoPassamos por determinado momentos em nossas vidas que parece que tudo nos foge ao controle. Aquele chão que anteriormente tínhamos parace que não exite mais. Nós, como seres dotado de faculdades sociais e naturais estamos sujeitos a esses infortúnios a todos os momentos, em nossas diversas relações, seja afetiva, material, familiar, intelectual, social e até mesmo espiritual.

Será que já tivemos ou podemos ter controle de nossa vida? Seria isso possível? Ou tínhamos somente uma mera expectativa de normalidade do que poderia vir a acontecer?

A Bíblia nos relada a história de Josué, discípulo fiel de Moisés. Nisso, quero remeter a um episódio da vida de Josué para mediar e exemplificar o que várias vezes passamos em nossas vidas.

Josué era homem de guerra, valente, também era sábio e falava com eloqüência e podemos até mesmo considerar Josué um filho espiritual do grande estadista e profeta Moisés. Josué foi escolhido por Deus para ser sucessor de Moisés e mesmo estando tão perto de Moisés e testemunhando do que o Deus fazia no meio do povo de Israel quando se deparou com a missão de conduzir o povo, isso, após a morte de Moises, ele desfaleceu: 

(…) Ninguém vos poderá resistir em todos os dias da tua vida; como fui com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei nem desampararei(…) Tem ânimo e sê forte … e reveste-te de grande fortaleza para observar e cumprir toda a lei que Moisés, meu servo, prescreveu (…) não tenhas medo nem temor, porque o Senhor teu Deus está contigo em qualquer parte para onde fores(Josué. 1, 7-9).

 Pela proximidade que Josué tinha com Moisés e por tudo que ele já tinha presenciado, aos olhos humanos, ele não tinha o que temer pois tinha um chão bem firme para pisar, ele estava a par de tudo que acontecia no arraial de Israel, em outras palavras, ele poderia dizer que estava no “controle”, e o melhor de tudo, o próprio Deus o escolheu.

As vezes estamos como José, tem hora que temos o controle de tudo, parece que nada pode dar errado pois já estamos seguros por todos os lados, mas mesmo assim somos assolados pelo descontrole que gera em nós desânimo, fraqueza, em outras palavras, sentimentos que mesmo Josué com toda estrutura e controle que tinha da situação não foi o suficientes para o livrar de ficar abatido.

O que nos faz merecedor desse crédito? Sendo que nós, mesmos, nos auto-titulamos de termos o controle de nossa vida em nossas mãos.

Ter controle em nossa vida é fundamental. Contudo, fazer desse controle uma “base” ou até mesmo um “alicerce para vivermos e construirmos a realização de nossos sonhos e projetos é um verdadeiro erro.

Isso porque cada um de nós somos seres que pensamos diferentes. O que é controle para uma determinada pessoa, pode não ser para outra. Temos conceitos e ideologias diferentes.

Cada um de nós somos frutos de um processo e cada um de nós temos vivencias diferentes no decorrer de nossa vida. Logicamente somos seres diferente um dos outros por natureza e essa diferença vai muito além do físico ou do comportamento, ela chega a definir nossos valores e conceitos que temos do mundo e de nós mesmos.

A Bíblia nos fala que: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria…” (Sal. 111:10). Que isso seja verdadeiramente nossa base, nosso alicerce e nossa referência. Contudo, podemos perceber, conforme essa palavra, que o “O temor do Senhor” é apenas o “princípio” para um andar sábio.

Essa passividade de ser modificado pelas coisas que nos cercam é na verdade um benção e não uma maldição. Para que venhamos crescer é necessário que exista algo que nos modifique. Não existe crescimento sem modificação! Para crescer você tem que sair do estado anterior que você tinha ou no qual vc se encontrava. Podemos dizer que no momento que somos atingidos por alguma aflição ou tribulação somos obrigados a sair do estado e do local que nos encontramos, pois ela se torna uma posição incomoda. Um momento de aflição nos proporciona uma porta aberta para crescermos e é um ferramenta para amadurecermos e nos desenvolvermos.

Uma coisa é certa, por mais que estejamos sem norte, sem segurança, independentes e inseguros o que nos faz ser alguém estável e próspero é a forma com que nos comportamos tanto na falta quanto na abastança, tanto no momento atribulado quando no momento de calma. Em outras palavras, não é o controle que temos ou deixamos de ter da nossa vida, que nos faz melhores ou piores e sim a forma que nos portamos em cada uma delas.

Existe, existiu e sempre existirá situações que vão fugir ao controle de nós, pois somos criaturas e não o criador. Situações que não são necessariamente ruim, pelo fato de ser difíceis, mas que nos dão a possibilidade de crescer e nos desenvolver como seres humanos, isso em todas as área de nossas vidas.

A Bíblia nos fala que “No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (João 16:33) quando lemos isso percebemos que o próprio Jesus estava bem consciente que não seria todo os dias que teríamos as rédias de nossas vidas em nossas mãos… Ele não somente nos dá um norte ou um caminho Ele nos dá “O norte” “A direção” que é ELE MESMO… Ele diz “Eu venci”. No mesmo versículo no início Ele diz: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim.” O Salmos 34:19 fala que “Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR de todas o livra.”

A Bíblia nos dá um conselho para aquele que anda em aflição, sem as rédias da própria vida, sem expectava ou norte, seja por apenas um momento ou outro, ou talvez já se tornou refém do seu descontrole. Não procure pela sua própria força mudar suas adversidades, antes procure mudar a forma de vê-las e de encará-las. Não se acomode em dizer: – Tenho o controle da minha vida em minhas mãos. Nem seja prepotente e apático também ao dizer: – Isso é passageiro, todo mundo passa um momento ou outro de aflição.

A palavra de Deus nos fala que “(…) nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação(2 Coríntios 4:17). Lembra de Josué? Ele não confiou em sua estrutura ou em ter o domínio da sua vida em suas mãos, nem muito menos se escondeu atrás do seu “EU” e a Bíblia relata em que: “Israel serviu ao Senhor durante todo o tempo da vida de Josué e dos anciãos que viveram muito tempo depois de Josué, e que sabiam todas as obras que o Senhor tinha feito em Israel” (Jos. 24-31).

arkofcovenantPodemos dizer que, verdadeiramente, Josué conquistou “peso de glória“, simplesmente pelo fato de não deixar que o aparente controle que tinha em suas mãos viesse a ser sua estrutura ou sua base para firmar a realização de seus projetos e até mesmo do que Deus tinha preparado para ele.

Então, ao invés de continuarmos a fazer tantas perguntas se estamos ou não seguros do controle de nossa vida nos é mais importante permitir estar disposto a encarar as lutas diárias como oportunidade de crescimento. Pois , só a partir do momento que alargamos nossa tenda, como foi feito com Abraão, é que temos oportunidade de conhecer o que antes não conhecíamos e como conseqüência disso passarmos a ter aquilo que anteriormente não tínhamos.

Se você é discípulo de Cristo não se esqueça: Não os temais, porque o SENHOR, vosso Deus, é o que peleja por vós. (Deuteronômio 3:22 ). Contudo se você ainda não o é, não se esqueça que a sua atitude e posição pode valer peso de glória.